Atualmente, estamos observando um fenômeno interessante. O número de pessoas que adotam uma dieta livre de glúten parece ser muito maior do que o número previsto de pacientes com diagnóstico de doença celíaca. Esta tendência é apoiada pela idéia de que, juntamente com a doença celíaca, outras condições relacionadas à ingestão de glúten surgiram como preocupações de saúde. O trigo é abundantemente consumido, mundialmente, pela maioria das pessoas, e mesmo aquelas que não apresentam predisposição genética para desenvolver doença celíaca ou alergia ao glúten, por uma simples questão de probabilidade, acabam ficando suscetíveis a algum tipo de reação ao longo da vida. A fim de desenvolver um consenso sobre uma nova nomenclatura e classificação de distúrbios relacionados ao glúten, um grupo com quinze especialistas se reuniu, em fevereiro de 2011, em Londres. Com base na discussão e nas evidências da literatura, o painel gerou uma série de definições e classificações que merecem um olhar cuidadoso não só pelos profissionais de saúde, como também pela população em geral.
VISÃO CONTEMPORÂNEA SOBRE O GLÚTEN - CONSENSO DE ESPECIALISTAS
Enquanto os celíacos apresentam alteração na estrutura juncional (tight junctions) dos enterócitos (células da mucosa intestinal) , aumento da permeabilidade intestinal, comprometimento da função primária de barreira contra antígenos e, consequentemente, envolvimento do sistema imune e de uma resposta imunitária. Indíviduos com sensibilidade ao glúten apresentam sorologia e exame histológico negativos para doença celíaca e permeabilidade intestinal normal. Parece estranho, mas os sintomas na sensibilidade ao glúten assemelham-se aos da doença celíaca, mas com uma maior prevalência de sintomas extra-intestinais, tais como mudanças de comportamento, dores ósseas ou articulares, câimbras, dormência nas pernas, fadiga crônica e doenças auto-imunes. O consenso deixa claro que as reações ao glúten não estão limitadas apenas à doença celíaca ou a um modismo momentâneo. Ao contrário disso, estudos recentes vêm mostrando que é necessário considerar a existência de um espectro de distúrbios relacionados ao glúten, incluindo a sensibilidade ao glúten não celíaca.
Referências:
PÓVOA, H. O cérebro desconhecido: Como o sistema digestivo afeta nossas emoções, regula nossa imunidade e funciona como um órgão inteligente. Rio de Janeiro: Objetiva, 2002.
ONDE ESTÁ O GLÚTEN?
O glúten é uma proteína encontrada no trigo, centeio, cevada, aveia e em muitos alimentos industrializados. Leia os rótulos e no seu dia-a-dia, busque alternativas sem glúten. Consulte um nutricionista!Referências:
SAPONE, A et al. Spectrum of gluten-related disorders: consensus on new nomenclature and classification. BMC Medicine, v.10, 2012.


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