DISBIOSE E SISTEMA IMUNOLÓGICO

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DISBIOSE E SISTEMA IMUNOLÓGICO

A incidência de muitas doenças humanas multifatoriais comuns como diabetes e obesidade, alergia e asma, neurodegeneração e doença inflamatória intestinal, aumentou substancialmente nos últimos dois séculos. A curta duração deste período, que abrange apenas um número limitado de gerações humanas, torna improvável que estas incidências possam ser explicadas apenas por fatores genéticos.

Em vez disso, as mudanças nos fatores de estilo de vida e ambientais, que são amplamente adotadas pelas sociedades pós revolução industrial, comparadas com as condições prevalentes durante a evolução anterior ao pool genético humano, provavelmente estão associadas à incidência crescente dessas doenças autoimunes, inflamatórias e metabólicas.

Estes fatores de vida e ambientais incluem alterações na alimentação, atividade física, higiene, longevidade, exposição a xenobióticos e uma habilidade humana recentemente adquirida para controlar a luz e a temperatura. Na tentativa de compreender melhor a origem dessas pandemias, recentemente foi reconhecido que outro conjunto de genes precisa ser considerado quando se avalia o impacto de tais fatores ambientais na saúde humana, ou seja, o metagenoma de toda a comunidade de microorganismos que coloniza o corpo humano, que é coletivamente denominado Microbioma.

O Microbioma co-evoluiu com o genoma eucariótico de seu hospedeiro e coloniza as interfaces do hospedeiro com o mundo exterior, incluindo o trato gastrointestinal, a pele, o trato respiratório e o trato urogenital. Ambos os genomas humanos e microbianos foram sujeitos a pressões alimentares e ambientais. 
Os tempos de geração substancialmente mais curtos de microorganismos comensais, em relação aos seres humanos, tornam o MICROBIOMA passível de rápidas mudanças evolutivas numa escala de tempo muito mais curta e podem sugerir que a adaptação do metagenoma a alterações nas condições ambientais é mais rápida do que a do genoma do hospedeiro.

Nos últimos anos, muitas das doenças multifatoriais modernas que mostram uma incidência crescente têm sido associadas a uma estrutura anormal do MICROBIOMA, denominada DISBIOSE, que afeta a composição, bem como a função metagenômica da comunidade microbiana. O Microbioma consiste em comunidades complexas bacterianas, fúngicas, virais e protozoárias que colonizam vários locais do corpo.
A comunidade microbiana intestinal saudável pode ser caracterizada em termos de diversidade, estabilidade, resistência e resiliência, que são definidas, respectivamente, como a riqueza do ecossistema, sua capacidade de desequilíbrio e sua capacidade de retornar ao estado pré-desequilíbrio.
Dados de grandes estudos de coorte humanos sugerem que vários estados estáveis ​​do ecossistema microbiano podem colonizar um hospedeiro na ausência de sinais evidentes de doenças.

Uma definição comum de DISBIOSE descreve-a como uma alteração funcional e composicional na microbiota, que é impulsionada por um conjunto de fatores ambientais e relacionados ao hospedeiro que perturbam o ecossistema microbiano em uma extensão que excede sua capacidade de resistência e resiliência. Uma vez que a configuração da microbiota é deslocada, a DISBIOSE também persiste como um estado estável e pode assumir várias manifestações de composição dependendo do gatilho.

Nesta revisão publicada na Nature (2017), os pesquisadores sugerem o uso de uma definição estreita de DISBIOSE: 'UM ESTADO DE COMUNIDADE MICROBIANA QUE NÃO É APENAS ESTATISTICAMENTE ASSOCIADO A UMA DOENÇA, MAS TAMBÉM CONTRIBUI DE FORMA FUNCIONAL NA ETIOLOGIA, DIAGNÓSTICO OU TRATAMENTO DA DOENÇA.'

🔬 Referência
Levy, M., Kolodziejczyk, A., Thaiss, C. et al. Dysbiosis and the immune system. Nat Rev Immunol 17, 2017.

http://www.nature.com/nri/journal/v17/n4/full/nri.2017.7.html

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